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Em louvor do ócio. Uma síntese analítica do ensaio de Bertrand Russell

  1. Introdução. A suspeita moral contra o ócio O ensaio In Praise of Idleness parte de uma constatação autobiográfica simples, mas intelectualmente explosiva. Russell reconhece ter sido educado numa moral tradicional que associa o trabalho à virtude e o ócio ao pecado, uma moral condensada no provérbio segundo o qual “o diabo encontra ocupação para mãos ociosas”. Essa associação, internalizada desde a infância, molda comportamentos, constrói consciências culpadas e organiza sociedades inteiras. No entanto, Russell descreve uma ruptura entre a sua conduta pessoal, ainda disciplinada por esse imperativo moral, e a sua reflexão intelectual, que passa a considerar tal crença profundamente errada e socialmente danosa. Desde o início, o ensaio propõe uma inversão provocatória. Não se trata apenas de defender menos trabalho, mas de questionar a própria ideia de que o trabalho é, em si mesmo, um bem moral. Para Russell, a crença na virtude do trabalho excessivo não só é injustificada...

Uma síntese da obra “A Conquista da Felicidade” de Bertrand Russell (1930)

  Primeira Parte – As Causas da Infelicidade 1 - O que torna as pessoas infelizes? Russell inicia a obra com uma constatação simples e perturbadora. Ao contrário dos animais, que tendem a ser felizes quando têm saúde e alimento, os seres humanos, sobretudo nas sociedades modernas, vivem maioritariamente infelizes. Essa infelicidade não é excepcional nem marginal, é difusa, quotidiana e visível nos rostos e comportamentos das pessoas. Através de observações quase etnográficas da vida urbana moderna, Russell descreve diferentes formas de infelicidade conforme os contextos sociais. No trabalho, predominam a ansiedade, a tensão constante, a incapacidade de brincar, a obsessão com a luta económica e a indiferença em relação aos outros. No lazer de fim de semana, mesmo entre pessoas confortavelmente ricas, encontra-se frustração, tédio e irritação, mascarados por uma perseguição mecânica do prazer que não chega a sê-lo. Nas diversões noturnas, a alegria surge como uma obrigação for...