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Ciência e Civilização - Discurso proferido por Albert Einstein no Royal Albert Hall, Londres, 3 de Outubro de 1933 (tradução livre)

Sinto me profundamente grato por me terem dado a oportunidade de aqui vos exprimir o meu sincero reconhecimento, como homem, como bom europeu e como judeu. Através do vosso trabalho de apoio, bem organizado, prestaram um grande serviço não apenas a académicos inocentes que foram perseguidos, mas também à humanidade e à ciência. Demonstraram que vós e o povo britânico permaneceram fiéis às tradições de tolerância e de justiça que, ao longo de séculos, sustentaram com orgulho. É em tempos de aflição económica como aqueles que hoje se vivem por toda a parte que se revela com particular clareza a força das energias morais que habitam um povo. Esperemos que um historiador, ao proferir o seu juízo num futuro em que a Europa esteja politicamente e economicamente unida, possa dizer que, nos nossos dias, a liberdade e a honra deste continente foram salvas pelas nações ocidentais, que resistiram firmemente, em tempos difíceis, às tentações do ódio e da opressão, e que a Europa Ocidental defend...

“A minha resposta. Sobre a ‘G.m.b.H. antirrelativista’” Por Albert Einstein - publicado no Berliner Tageblatt, sexta feira, 27 de Agosto de 1920 (edição da manhã) - tradução livre

  Sob o nome ambicioso de “Grupo de trabalho de cientistas naturais alemães”, juntou-se uma companhia variada cujo objectivo provisório é rebaixar, aos olhos dos não físicos, a teoria da relatividade e a mim, enquanto seu autor. Recentemente, os senhores Weyland e Gehrcke deram, na Filarmónica, uma primeira conferência nesse sentido, na qual eu próprio fui tomado como alvo. Tenho plena consciência de que estes dois oradores não merecem uma resposta da minha pena, pois tenho bons motivos para crer que, por detrás desta empresa, há outros motivos para além da busca da verdade. Se eu fosse um nacionalista alemão, com ou sem suástica, em vez de um judeu de convicção liberal e internacional, então… Respondo apenas porque, de um lado benevolente, me pediram repetidamente que tornasse conhecida a minha posição. Antes de mais, observo que hoje dificilmente existe um investigador que tenha produzido algo de relevante na física teórica e que não reconheça que toda a teoria da relatividade ...

A Impossibilidade de Uma Só Natureza Humana: Variação é a Norma

  I – INTRODUÇÃO A ideia de que existe uma natureza humana única, estável e relativamente homogénea domina grande parte do imaginário jurídico, filosófico e até científico do século XX. Atribuímos aos outros uma arquitetura psicológica semelhante à nossa, supomos que reconhecemos emoções com um simples olhar, acreditamos que percepções e memórias funcionam de modo uniforme nas diferentes pessoas e culturas. Esta suposição de universalidade, confortável e intuitiva, funciona como a gramática subterrânea de múltiplos discursos normativos: do direito ao quotidiano, da política à educação. Contudo, a investigação contemporânea em neurociência, psicologia cultural, antropologia e ciências cognitivas sucessivamente desmente esse pressuposto. O que a literatura científica revela, com uma consistência impressionante, é algo distinto: variação é a norma . O cérebro humano, longe de ser uma máquina padronizada, é um sistema plástico que se forma e transforma em diálogo estreito com a cul...